Direito de Família

Inventário judicial: quando é obrigatório e como funciona

Nem todo processo de sucessão pode ser resolvido em cartório. Existem situações em que a lei exige que o inventário siga pela via judicial, ainda que exista concordância entre as partes quanto à divisão dos bens.

Quando a via judicial é obrigatória

  • Existência de herdeiro menor de idade ou incapaz
  • Existência de testamento válido, salvo hipóteses de autorização específica
  • Ausência de consenso entre os herdeiros sobre a partilha
  • Discussão sobre a validade do testamento
  • Divergência sobre quem tem ou não a qualidade de herdeiro

Etapas gerais do processo

O processo costuma seguir uma sequência relativamente estável, ainda que os prazos variem conforme a comarca.

  • Abertura do inventário e nomeação do inventariante
  • Compromisso do inventariante e apresentação das primeiras declarações
  • Citação dos demais herdeiros e interessados
  • Avaliação dos bens quando houver divergência de valores
  • Manifestação da Fazenda Pública sobre o ITCMD
  • Apresentação do plano de partilha
  • Sentença de homologação e expedição do formal de partilha

O papel do inventariante

O inventariante representa o espólio durante o processo, administra os bens deixados pelo falecido, presta contas e cumpre as determinações judiciais até a conclusão da partilha.

A função tem responsabilidade real: o inventariante responde pela boa administração do patrimônio e pode ser removido se não cumprir seus deveres ou se administrar em prejuízo dos demais herdeiros.

O que fazer com os bens enquanto o processo corre

Enquanto o inventário não termina, o patrimônio permanece como espólio, o que limita a disposição dos bens. Vender um imóvel do espólio, por exemplo, depende de autorização judicial.

Também é possível pedir alvará judicial para situações pontuais e urgentes, como levantar valores para custear despesas essenciais ou quitar tributos que estejam gerando multa.

Por que o prazo tende a ser maior

Por envolver prazos processuais, citação de todos os interessados, manifestação da Fazenda e, muitas vezes, avaliação de bens, o inventário judicial costuma levar mais tempo que o extrajudicial.

Quando o litígio é apenas parcial, é possível concentrar a discussão no ponto controvertido e homologar o restante da partilha, o que evita que o processo inteiro fique parado por um único desacordo.

Perguntas frequentes

Quem escolhe o inventariante no inventário judicial?
O juiz nomeia o inventariante, observando a ordem legal de preferência. Costuma recair sobre o cônjuge ou companheiro sobrevivente ou sobre um dos herdeiros.
O inventário judicial é sempre mais demorado?
Em regra sim, por envolver prazos processuais e manifestação de diferentes partes, mas o tempo varia conforme a comarca e a complexidade do patrimônio.
Dá para vender um bem antes de terminar o inventário?
Depende de autorização judicial, já que o bem pertence ao espólio até a homologação da partilha.

Este conteúdo é informativo e não substitui uma análise jurídica individualizada.

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